PCP reclama a valorização <br>das pensões
«Nesta luta em defesa dos reformados, pensionistas e idosos podem continuar a contar com o PCP», afirmou, anteontem, em Almada, Jerónimo de Sousa.
Apresentar propostas e defender os interesses dos reformados e pensionistas
No encontro com reformados, realizado na União dos Reformados, Pensionistas e Idosos do Concelho de Almada, estiveram cerca de duas centenas de pessoas.
No âmbito da campanha nacional «Valorizar pensões e reformas, combater a pobreza, dar dignidade à vida», promovida pelo PCP e a decorrer até 18 de Abril, em Almada falou-se do momento actual e perspectivou-se a necessidade de prosseguir a reivindicação e a luta por uma outra política que tenha em conta o direito a uma vida com dignidade.
A abrir os trabalhos, Virgolino Rodrigo, da Direcção Regional de Setúbal do PCP, salientou que, a par da questão da valorização das reformas, outros problemas «afectam a qualidade de vida dos reformados e pensionistas». Deu conta de «um número elevado de utentes sem médico de família», assim como da «dificuldade no acesso aos serviços da Segurança Social» e da «falta de lares e de outros equipamentos de apoio à terceira idade».
Noutras intervenções, como a de Joaquim Gonçalves, da Confederação MURPI, alertou-se para o agravamento, nos últimos quatro anos, da «situação social e económica dos reformados, pensionistas e idosos» e abordou-se a actual situação política, que aponta no «sentido da inversão» das práticas do anterior governo, «sendo o descongelamento de algumas reformas e pensões a expressão mais evidente e mais positiva».
Josélia Xavier, da Inter-reformados/CGTP-IN, destacou a necessidade de «continuar a luta no combate às injustiças que nos foram impostas».
Iniciativa
Jerónimo de Sousa, por seu lado, acentuou que, no âmbito do Orçamento do Estado para 2016, o PCP propôs e tomou a iniciativa para melhorar a vida dos reformados e pensionistas. «Apresentámos a proposta de aumento extraordinário, já este ano, das pensões e reformas em 10 euros», assegurando que, «ao descongelamento das pensões alcançado, também em 2016, se juntasse uma trajectória de recuperação do seu valor real». Lamentavelmente, não foi aprovada uma outra proposta dos comunistas, que visava «tornar mais justas as regras de actualização anual das reformas», criticou.
Chumbadas foram também as propostas sobre a reversão das parcerias público-privadas; o aumento da contribuição extraordinária sobre o sector energético; um adicional de dois por cento de derrama estadual sobre empresas com rendimentos tributáveis superiores a 35 milhões de euros; lançamento de um imposto sobre o património superior a um milhão de euros.
«Falaram mais alto os condicionamentos das opções do Governo do PS» e a sua «recusa em se libertar das imposições europeias e de outros constrangimentos externos favoráveis ao capital monopolista que domina o País», lembrou.
Compromissos
Entretanto, o PCP vai continuar a intervir para «cumprir os seus compromissos», de forma a assegurar, entre outras medidas, a «autonomia económica e social dos reformados, pensionistas e idosos, através da elevação dos seus rendimentos», o «cumprimento do direito à saúde, concretizado pelo Serviço Nacional de Saúde, com serviços públicos de proximidade», a «efectivação do direito à mobilidade e ao transporte público», a «criação de uma rede pública de equipamentos e serviços públicos de apoio à terceira idade» e o «incentivo à participação na vida social, política e cultural».
«A gravidade dos problemas que estão colocados na vida dos portugueses exige uma permanente luta dos trabalhadores, dos reformados e do nosso povo. Mas exigem também acção e intervenção dentro das instituições, nomeadamente na Assembleia da República, onde vamos continuar a apresentar propostas e a defender os interesses dos reformados e pensionistas», afirmou Jerónimo de Sousa.